Luquinhas para adoção

A ele foi dado o nome de Lucas, Luquinhas para os mais chegados. Poderia ter sido também chamado de Cidadão. Ele tem cara de Cidadão, sujeito comum. A história, entretanto, está entre as mais tristes.

Um cão, quando é abandonado, não entende o que está acontecendo. Se soubessem, procurariam caminhar no sentido contrário ao de sua antiga casa, pra chegarem o mais longe possível de seus antigos donos.

No entanto, eles são criaturas especiais. Oferecem a outra face.

Por isso, muitos dos animais abandonados tentam encontrar o caminho de casa. Alguns, mais espertos e inteligentes, conseguem, sem saber que são indesejados.

Diz uma fábula: “Quem o feio ama, bonito lhe parece”. Por isso, os cães têm adoração pelos donos e não percebem que nem todos os humanos são dignos de tamanha devoção.

Pra evitar o retorno de um animal indesejado, alguns donos são mesmo cruéis. Soltam em longas distâncias, em locais ermos, nas margens de rodovias. Outros fazem a “eutanásia”.

Uma das formas de eutanasiar cães saudáveis, espertos, carinhosos e brincalhões como o Lucas, é jogá-los dentro do Rio Arrudas. De lá não conseguem sair, morrem de fome, de infecção pela água contaminada ou, ainda pior, levados pelas águas nos períodos das chuvas.

É isso mesmo. Este é o Lucas, aquele cãozinho que foi retirado de dentro do Rio Arrudas, em Julho de 2011. Foi levado a uma clínica, vacinado, vermifugado, castrado, fez todos os exames, inclusive de Leishmaniose, que acusaram saúde perfeita. Tem aproximadamente 2 anos de idade.

Era pra ser um final feliz, mas o pior estava só começando.

É que o Lucas é um cachorro muito comum. É marrom, sem raça, porte médio, pelo curto, orelhas de abano, cauda inquieta, língua saliente, pé duro, late. Enfim, ele é um lobo legítimo.

Vai entender. Quem o conhece, sabe o quanto ele é especial, mas as fotografias não mostram suas maiores qualidades.

Por isso, está há 9 meses vivendo em uma gaiola de uma clínica. Ninguém o quer.

Se tivéssemos uma linha direta com o Céu, talvez fôssemos orientados a esquecer o caso, que o destino dele é esse mesmo. Mas não temos esse poder. Resta-nos tentar, tentar, tentar e tentar um pouco mais, até que seja adotado, ou até que ele venha a desistir da vida, o que acontecer primeiro.

Contato para adoção: Cláudia: (31) 9203.2990

Cláudia Senna: claudiacsenna@gmail.com

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